segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

MOVIMENTO ABOLICIONISTA MODERNO - MAM

   O "destino" tem me orientado por leituras um tanto quanto consecutivas. Já comentei aqui sobre a leitura de "O Cortiço" e agora estou embalado no maravilhoso "Os Tambores de São Luís". Vários aspectos destas duas obras se coincidem.

   A força do negro, seus ritos e costumes, sua condição precária porém acatada na época da escravidão e comércio de homens são as que mais me impressionam.

   Algo na vida do perfeito personagem Damião, criação impecável de Josué Montello, me remete aos pecados da atualidade.

   É impossivel (e inadmissível) vermos alguém se declarar "escravo" ou "cativo" hoje em dia, e duvido que você já tenha conhecido algum escravo. Eu conheci e conheço.

   O travesseiro é o espelho da alma. É no momento em que nosso espírito  fica dividido entre a realidade e o mundo onírico, que sentimos o sufoco da máscara de flandres, o aperto da cafua ou o peso das correntes nos tornozelos. Nos casos mais graves, nosso coração se aperta com a visão do pelourinho vazio, esperando qualquer couro para marcar à chibata.

   De onde vieram nossos costumes, tradições e crenças? Me diga, querido amigo, algo que seja totalmente seu ou que foi conquistado por você com vontades e dentes destemidos.

   Já disse Platão que habitamos em cavernas repletas de sombras, tomando por real alguma interpretação que normalmente não é a nossa.

   O que diriam Sartre, Freud, Sócrates se assistissem alguns minutos da nossa programação de TV predileta? Ou se ouvissem poucos minutos de nossas conversas? Eu estou envergonhado de mim mesmo.

   Penso constantemente em um Movimento Abolicionista Moderno, onde criaremos nossos próprios raciocínios, deixando de sermos meros repetidores de verdades camufladas ou cheias de coberturas açucaradas que disfarçam um fel pernicioso e alienista.

   Quero te chacoalhar meu querido, varrer as teias de aranha das tradições, arejar os pré-conceitos que já abandonaram os porões escuros da mente e tentam nos automatizar nesta engrenagem ruidoza e desgastante chamada sociedade.

   Vamos nos mobilizar, poste textos que desafiam o ato de pensar, converse sobre a sua própria vida e sobre os desafios para evoluir! Evolua!

   Abraços!


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Um comentário:

  1. Excelente, Michel! Infelizmente vivemos numa sociedade (que você definiu muito bem) em que pensar dói. Adorei a parte em que você cita os pensadores Sartre, Freud e Sócrates: não tenho dúvidas de que eles pensariam em mudar de planeta ao ouvir nossas músicas ou ligar a TV. Confesso que se eu pudesse, já teria me mudado para outro plano onde não haja tanta alienação.

    Abraços e parabéns pela postagem!

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