Mais um ano se vai. 365 dias se passaram e nem me lembro de muitos deles, mas outros ficaram bem vivos na memória.
Em 2012 quero falar menos e ouvir mais. Ler mais e ver menos TV. Fazer mais e planejar menos.
Agradeço de todo o meu coração à todos vocês que leram meus textos, saibam que cada leitura me incentivou a escrever mais e mais!
Quero deixar aqui meus sinceros desejos de alegria, paz e sucesso para 2012! Neste mês de dezembro não produzi muito por aqui mas será diferente em 2012 e me esforçarei ao máximo para tentar fazer jus ao pesado, porém hiper gratificante título de escritor, nem que seja iniciante, amador ou até mesmo em processo de construção intelectual.
Um FELIZ ANO NOVO!!!
Abracos sinceros, e que venha 2012!!!
Gotas de sangue,cristais de vida aglutinados em palavras,resquícios de minha existência para a posteridade.
sábado, 31 de dezembro de 2011
FELIZ ANO NOVO!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O PALHAÇO
O Palhaço
No regaço. Arregaçado
O cabo de aço não prendeu
Sonhos leves, flutuantes
Inconstantes e pesarosos
Esperança altissonante
Sorriso rasgado em cena
A Alegria como tema
Tema diante dela!
Bela como a morte aveludada
Exsudada em segundos, gotas
Todas regressivas, findadas
Perdidas no mesmo espaço
Escondidas no sorriso do Palhaço.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
PANO PRA MANGA
Dá pano pra manga
A manga-de-cheiro
Ou a falta do cheiro
Do café-na-cama
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
MOVIMENTO ABOLICIONISTA MODERNO - MAM
O "destino" tem me orientado por leituras um tanto quanto consecutivas. Já comentei aqui sobre a leitura de "O Cortiço" e agora estou embalado no maravilhoso "Os Tambores de São Luís". Vários aspectos destas duas obras se coincidem.
A força do negro, seus ritos e costumes, sua condição precária porém acatada na época da escravidão e comércio de homens são as que mais me impressionam.
Algo na vida do perfeito personagem Damião, criação impecável de Josué Montello, me remete aos pecados da atualidade.
É impossivel (e inadmissível) vermos alguém se declarar "escravo" ou "cativo" hoje em dia, e duvido que você já tenha conhecido algum escravo. Eu conheci e conheço.
O travesseiro é o espelho da alma. É no momento em que nosso espírito fica dividido entre a realidade e o mundo onírico, que sentimos o sufoco da máscara de flandres, o aperto da cafua ou o peso das correntes nos tornozelos. Nos casos mais graves, nosso coração se aperta com a visão do pelourinho vazio, esperando qualquer couro para marcar à chibata.
De onde vieram nossos costumes, tradições e crenças? Me diga, querido amigo, algo que seja totalmente seu ou que foi conquistado por você com vontades e dentes destemidos.
Já disse Platão que habitamos em cavernas repletas de sombras, tomando por real alguma interpretação que normalmente não é a nossa.
O que diriam Sartre, Freud, Sócrates se assistissem alguns minutos da nossa programação de TV predileta? Ou se ouvissem poucos minutos de nossas conversas? Eu estou envergonhado de mim mesmo.
Penso constantemente em um Movimento Abolicionista Moderno, onde criaremos nossos próprios raciocínios, deixando de sermos meros repetidores de verdades camufladas ou cheias de coberturas açucaradas que disfarçam um fel pernicioso e alienista.
Quero te chacoalhar meu querido, varrer as teias de aranha das tradições, arejar os pré-conceitos que já abandonaram os porões escuros da mente e tentam nos automatizar nesta engrenagem ruidoza e desgastante chamada sociedade.
Vamos nos mobilizar, poste textos que desafiam o ato de pensar, converse sobre a sua própria vida e sobre os desafios para evoluir! Evolua!
Abraços!
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O TEATRO MÁGICO
Quero deixar uma dica pra vocês, meus queridos.
Sempre procuro bandas diferentes pra ouvir, pois infelizmente a música brasileira da mídia está mais pobre do que a própria população.
Essa semana tive uma surpresa mais que agradável vinda da minha grande amiga Juliana Daneluz. Ao ver uma bela frase no seu msn, perguntei de onde ela tinha tirado e para meu espanto tinha sido de uma letra de música. Foi daí que conheci o projeto "O Teatro Mágico".
Digo "projeto" pois banda é uma das muitas virtudes deste grupo teatral, poético e musical. Suas performances são lindas e suas músicas nos levam em passeios oníricos por céus distantes.
Baixem, assistam e escutem, tenho certeza que vocês irão adorar a maravilhosa trupe de Fernando Anitelli!
"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente." Fernando Antitelli (O Teatro Mágico)
terça-feira, 15 de novembro de 2011
AS MARCAS DA CINDERELA
A dor não é apenas desejada pelos masoquistas, mas bem aceita pelo coração enamorado.
A Ciderela nem sempre esquece seu sapato deixando assim uma restia de esperança e romantismo para sonharmos. Ficamos normalmente com o cheiro na memória, o sabor nos lábios e com as marcas na pele.
Assim como o pé delicado da Cinderela foi ansiado pelo cavalheiro apaixonado, assim minhas costas procuram suas unhas, meu pescoço os seus lábios e meu ouvido a sua voz. Singela confirmação de uma fábula de amor.
Reapareça, bela Ciderela, e expresse toda a compatibilidade dos nossos corpos. Dê-me sua mão e eu te mostrarei o meu caminho. Dê-me o seu coração e te provarei a infabilidade do destino.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
AMOR DE DITADURA
A teologia, e a mídia hoje em dia, nos mostra que o amor possue três vertentes, ou modos de atuar no homem: Ágape, Fileo e Eros.
O amor Ágape é aquele amor incondicional, que Deus tem pela humanidade, que mesmo errando constantemente, ainda permanece sendo objeto do Seu amor. O Fileo é aquele sentimento paternal, onde os problemas e adversidades nunca o abalam. E enfim o amor Eros, que é voltado ao desejo do corpo, não o desejo desenfreado que vemos hoje nos bailes funk, mas o real desejo do homem pela mulher, como paixão e instinto.
Analisando alguns fatos da vida, cheguei a conclusão de que há ainda uma quarta vertente deste objeto de desejo de muitos,o amor. O quarto "tipo" de amor é o Amor de Ditadura.
Não é político, se bem que acontece muito nesse meio. Nem algo exclusivo de Cuba, grande expoente deste molde de opressão.
Opressão, talvez seja esta a palavra que melhor define o Amor de Ditadura, pois é realmente esta a finalidade do mesmo: oprimir o ser (objeto) amado.
O "Amante" de Ditadura é aquele que promete (e cumpre) mundos e fundos para a pessoa amada, sendo querido, compassivo e totalmente dedicado, exigindo apenas um pré-requisito da pessoa amada: total submissão a ele.
Isso também não é exclusividade dos assassinos em série ou dos amantes neuróticos, cheios de distúrbios de personalidade. Tenho certeza que você mesmo, querido leitor, conhece de perto ou até mesmo já foi um Amante de Ditadura.
A maior característica deste ser inescrupuloso é a mudança radical no conceito correspondente ao antigo objeto de amor. Enquanto a pessoa o venerava e obedecia calada e cabisbaixa, recebia todo o carinho do mundo e era tida como uma pessoa perfeita. Basta apenas desobedecer ou confrontar uma ordem do Ditador, que todo o romantismo cai por terra no mesmo instante.
Pior é quando chega ao fim o relacionamento do Ditador amante. A pessoa que apenas deixou de adorá-lo e reverenciá-lo passa imediatamente a ser objeto de ódio do Ditador, sendo difamada veementemente e excluída do círculo social do Ditador.
Infelizmente, meu querido, não existe este tipo terrível de amor apenas nos romances, mas também nas amizades e famílias. A centralização do "eu" e o egocentrismo exacerbado constrói regimes de Ditadura nos mais variados círculos sociais.
Deixo aqui meu conselho: se você perceber que está sendo oprimido por um amor de Ditadura, corra! Pois logo você, mesmo involuntariamente, irá contradizer o ditador e então se tornará vítima de uma perseguição ferrenha, odiosa e infelizmente caluniosa.
E se você se identificou com o Ditador, procure mudança (ou tratamento), pois ninguém "pertence a você" nem suas idéias e ideais são os únicos expoentes de verdade do mundo.
Pense bem!
Abraços!
domingo, 13 de novembro de 2011
FIM DA GUERRA
O corpo está são
Dores eu não sinto
Falar nisso como um todo, minto
Pois há sim uma ferida em meu coração
Vida dura, grandes pedras
Varias lutas, houve miséria
Choro e perdas nesta terra
Luto e dor, grandes mazelas
Vivo mas não sei se quero
Desfaleço-me em vagos sonhos
Lágrimas nestes olhos que fecho
Sorrio para o peso que me enterra
Despeço-me do sentir
Bandeira branca, fim da guerra
terça-feira, 8 de novembro de 2011
REENCONTRO
Ah! Como eu senti a sua falta!
Meu tato pairou no vazio sem sua textura suave. Sem seus limites me senti perdido, sem destino, desatino.
Quanta falta me fez nossos diálogos, sua sabedoria simples e consoladora a me instruir, a me guiar por veredas inimagináveis.
Quanta alegria seu cheiro me trouxe novamente. A memória peca em tentar nos consolar com o que sobrou da realidade, mas ter você aqui em meus braços faz reviver todas as lembranças e emoções proporcionadas pela nossa união.
Como é delicioso ouvir seus ensinamentos, mergulhar nesse seu mar profundo de conhecimento, deslumbramento. Quando estou contigo nada mais importa. O tempo para, as horas voam.
Amo a sensação de andar nas ruas contigo, ver a expressão de ignorância daqueles que não entendem nossa relação de eterno afeto. Sorrio para os narizes torcidos, que externam corações defeituosos.
Te amo e prometo nunca mais passar um dia sem te entregar toda a minha atenção, pois sei que em nossos momentos juntos você me ensina e constrói toda a minha identidade de ser humano.
Te amo livro querido!
*Este texto é em homenagem à reabertura da Biblioteca Municipal Rui Barbosa de Dionisio Cerqueira-SC, que depois de aplicar um forçado jejum literário em seus frequentadores, voltou a funcionar normalmente, abrindo as portas dos sonhos e dos mundos incríveis que apenas um livro pode proporcionar.
Abraços alegres!
sábado, 5 de novembro de 2011
UM PASSO, UM CAMINHO
Um passo, um caminho
Trajetos que ouso trilhar
Dores que posso sentir
Vida para vivenciar
Ver não é perceber
Perder não é morrer
Ter não é ser
Sorriso não é sorrir
Um caminho, vários passos
Uma trilha, ser triado
Sem saber, ser escolhido
Feliz por estar vivo.
BOA TARDE
Boa tarde galera!
Quero pedir desculpas por estar meio sumido por aqui. Além da preguiça, fiel companheira de todos os que precisam trabalhar, estou pensando bastante na minha ideia de um romance.
A história está quase 100% na minha mente. É um suspense policial bem inusitado, e um tanto quanto truncado. As cenas ainda estão embaralhadas e estou organizando aos poucos.
Creio que assim que for fluindo, vou postando aqui capítulo por capítulo.
O título por enquanto é "A ÁRVORE DA VIDA (E DA MORTE)".
Logo apareço por aqui denovo!
Abraços!!!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
FIÉIS DEFUNTOS
No século XIII, o dia de Finados era conhecido como a Missa dos Fiéis Defuntos. Passados quase oito séculos, assim como tudo se reduz e compacta ao máximo com a modernidade, relembramos (acho pesado "celebrar", prefiro apenas "recordamos") agora apenas "os Finados", e não mais os "Fiéis Defuntos". Será algum endurecimento de coração causado pela história corrupta que vemos aflingir nosso país? Creio que não, mas dá para pensar, não?
O dia 2 de novembro tem muito significado para mim e relendo o nome antigo da tradição (extraído via Wikipedia), percebo que deveria ser "Missa dos Fiéis Vivos (e não defuntos)", pois se alguém tem o direito de esquecer, esse alguém é aquele que já partiu. Nós, ainda encarnados, é que devemos ser fiéis à memória de nossos finados queridos, afinal eles possuem o único conhecimento que nenhum de nós conseguirá alcançar, senão quando se juntar à eles: a solução da insondável passagem para o "outro lado".
Enfim, meu calendário diz que hoje "comemoramos" o dia de Finados. Eu vou ficar com o Dia dos Fiéis "Vivos", relembrando aqueles que já se foram e minhas faltas com cada um deles, ponderando como não cair no mesmo erro, na tentativa de ter um 2 de novembro mais leve no ano que vem.
Abraços fúnebres.
sábado, 29 de outubro de 2011
Fim de semana passado assisti uma palestra cujo tema era "felicidade". Em quase uma hora, o preletor discorreu sobre como atingir este tão buscado sentimento e também como não fugir desta tão falada "felicidade".
Sabemos que algo foi intelectualmente produtivo quando nos pegamos pensando no assunto exposto.
O que viria a ser a tal felicidade? Seus momentos de alegria são ou devem ser iguais aos meus e vice-versa? Creio que não.
Um dos maiores problemas da sociedade, ou melhor, daqueles que "compõem a sociedade", é padronizar os valores como "certos ou errados" segundo as suas preferências. O que me faz feliz, pode não (quase sempre não) fazer feliz o meu próximo. Até mesmo nos casamentos vemos gostos díspares em relação ao que alegra ou não.
Existem fatores básicos como amar e ser amado, correr das alegrias ilusórias como a das drogas, mas o grande trunfo da humanidade é exatamente a particularidade de cada um. Eu amo ter períodos solitários, tem gente que não fica meio dia soinha. Eu amo rock'n roll, tem pessoas que torcem o nariz. Tem pessoas que são felizes odiando os outros (???).
Enfim, felicidade é o estado de espírito da pessoa, e não aquilo que os outros determinam que te fará feliz. Se você, querido leitor, anda buscando a felicidade em manuais, te aconselho a buscar em seu coração, pois somente alí você encontrará o verdadeiro guia da "sua" felicidade!
Abraços e "be happy"!
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
TUDO POR AMOR
Quando não havia mais ninguém na rua, eu diminuía o passo e assobiava uma canção qualquer, apenas para sentir o exsudar de seu maravilhoso perfume.
Garoto com quinze anos de idade, tudo se transformava em medos e vergonhas e o receio do flagrante no tão planejado ato congelava cada centímetro da minha espinha adolescente.
No terceiro dia de contemplação, entuasiasmado pelo fraco movimento da rua, meus passos rumaram em direção àquela que era a detentora da síntese de beleza aos meus olhos joviais.
Parei temeroso antes da metade do caminho. Se algum colega me visse naquela situação constrangedora, eu sofreria com as brincadeiras de mau gosto pelo resto da minha vida!
Ao contemplar novamente a beleza materializada alí, a poucos metros de distância, procurei em algum canto do porão do medo qualquer resquício de coragem. Levantei o queixo, e como um soldado real britânico marchei desvencilhando dos pensamentos qualquer possibilidade de ser visto,tentando amordaçar o medo que aos berros amolecia minhas pernas.
Contagem regressiva, faltam cinco passos e poucos batimentos para um enfarto. De soslaio, uma última averiguação do território e a derradeira chance de reunir coragem.
Três passos apenas. Acelerei, tomei impulso e pulei com o apoio das mãos em cima do pequeno muro. Rápido como um gato saquei uma tesoura da mochila e com precisão cirurgica cortei a bela rosa que tanto me atraíra. "Mamãe irá adorar este presente", murmurei realizado escondendo o objeto do crime e estampando um sorriso de realização.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
É IMPORTANTE, MOÇO?
Como todo bom brasileiro, acordo quase todas as segundas praguejando, porém hoje o dia era diferente, tinha algo especial em meu cronograma.
Na minha humilde cidade, existe uma biblioteca razoavelmente boa, que apesar desta qualificação, é pouco frequentada pelos habitantes "comuns", tendo como principais visitantes as crianças do ensino fundamental, um senhor aposentado e este que vos fala (ou escreve).
Nos cinco ou seis anos de cadastro que tenho neste estabelecimento, por mais que tenha ficado três anos fora da cidade, ostento uma ficha com mais de cinquenta empréstimos. Confesso que nem todos foram lidos, mas o aprovitamento foi bom.
Um mês atrás, como de costume, segui em direção à biblioteca na segunda-feira antes de ir para o trabalho, para trocar o volume que estava sob meu braço. Ao chegar no local, para o meu espanto estava fechado! A funcionária simplesmente entrou em licensa e havia uma fila de crianças, com seus livrinhos coloridos, ansiosas assim como eu, o "tio da segunda-feira", por levar uma nova aventura em forma de páginas para casa.
Uma outra funcionária apareceu para apenas recolher os livros, sem a possibilidade de novos empréstimos. Fiquei revoltado, muito revoltado na verdade! Cheguei bufando no meu escritório e imediatamente liguei para a Prefeitura Municipal, afim de obter esclarecimentos por tal descaso. O máximo que recebi foi alguns resmungos mal educados e uma fraca promessa de que regulariam em breve o serviço.
Digo fraca, querido leitor, porque fiquei três semanas ligando, sem nenhuma fresta aberta na biblioteca nem respostas satisfatórias da secretaria de educação do município.
Escrevi no início que esta segunda era diferente. Na sexta-feira passada me prometeram que hoje a santa biblioteca estaria aberta. Acordei meia hora mais cedo, abri blogs de sugestão de leituras, elegi os autores mais cotados e fui, todo sorridente, para meu pequeno santuário literário.
Para minha alegria, estava aberta a portinha e meu coração saltou de satisfação. Entrei correndo e me embrenhei em meio às estantes. Meus olhos começaram a correr os volumes quando uma voz, quase inaudivel chamou a minha atenção: "Não vamos fazer empréstimos, moço".
Creio que se o próprio diabo tivesse apenas uma frase para me dizer neste dia, seria: "Não vamos fazer empréstimo, moço"! A raiva se apossou de mim e marchei cego em direção à pobre funcionária, que se encolheu ao perceber a cólera queimando em meus olhos.
-Como assim não vai fazer empréstimo?- inquiri cerrando os dentes.
-É urgente, moço?- choramingou a senhora.
-Acredito que toda leitura é!- metralhei desgostoso.
-Eu sei, mas só daqui a trinta dias voltaremos a fazer empréstimos!- executou meu algoz.
Ensaiei uma resposta, mas apenas resmunguei e saí com o queixo afundado no peito.
"É importante?" Esta pergunta hipócrita e gelada martelou na minha cabeça a manhã toda. É claro que é importante! Eu não seria "eu" sem a leitura! O mundo não seria "mundo"!
Enfim, estamos quase em novembro, daqui a trinta dias esta mesma funcionária, que com certeza nunca leu um livro em sua vida, vai entrar em férias e as crianças com seus livros coloridos e o "tio da segunda" ficarão apenas na vontade de desbravar as longinquas terras da literatura.
Tristes abraços.
domingo, 23 de outubro de 2011
PAZ
Acalmar a tempestade aqui dentro
Ouvir conselho de alento
Tentar sorrir um pouquinho
Quero ver o Sol
Preciso identificar um sorriso
Tomar posse de algum momento
Deixar de lado o tormento
Ser feliz sem motivo
Quero ver a Lua
Preciso reatar com o meu travesseiro
Dormir em paz, sonhar
Ser dono do meu mundo por inteiro
No meu teatro devo estrear
Quero viver a vida...
Um restinho de fim de semana excelente para todos e uma semana permeada de PAZ!
Beijos!
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
CARRINHO DE SORVETE
Sou um apaixonado por sorvete, de todos os sabores, cores e modelos. Hoje a minha preferência repousa sobre os "sorvetes italianos", porém nem sempre foi assim.
Na pequena e maravilhosa cidade de União da Vitória-PR, a minha infância difícil privava as regalias que hoje em dia se tornaram normais. O tão querido sorvete, este creme gelado e saboroso que nos encanta, não fazia parte do cardápio da família da dona Dalzira, minha mãe. E não era pensando em uma alimentação saudável não, era a situação financeira que nos encurralava no canto das privações.
Esta iguaria doce, de inúmeros sabores e texturas, era louvada pela minha língua apenas quando algum parente distante, e de melhor condição de vida, visitava a família em festas de fim de ano, causando alvoroço e alegria com presentes e tais experiências gastronômicas inesquecíveis.
Como não lembrar da sorveteria do extinto calçadão ou da esquina da praça da Maria Fumaça? Quadros de prazer foram pintados em meu coração nestes lugares.
Mas as festas passavam, e os parentes partiam, nos derrubando novamente na rotina de escassez e economia.
Esporadicamente, minha mãe por sua eterna bondade, ou por minha insistência chata e persuasiva, liberava alguns trocados para saciar todos os vermes que me corroíam de vontade de comer sorvete. Como as sorveterias cobravam muito mais do que eu podia pagar, a saída sempre era correr para a avenida Manuel Ribas e contemplar quase que hipnotizado aquele carrinho tosco descrevido anteriormente. O carrinho de "sorvete americano"! Não era o italiano, querido leitor, pelo contrário, eram apenas dois sabores, normalmente groselha ou abacate, que processados com água (e não leite), fazia surgir entre as moscas e abelhas uma casquinha com o produto.
Minha boca se enche de saliva ao lembrar do "sorvete americano de abacate", meu preferido, e até o aroma ainda pode ser resgatado pela minha memória olfativa. Delícia!
Como são estranhos nossos valores, temos hoje em nossas mãos variadas marcas e sabores de sorvetes, mas o poder das lembranças tornam aquele produto tosco e barato irresistível!
Aproveite, meu amigo, todo o "hoje" para que não precise se deliciar amanhã apenas com as lembranças.
Abraços!
O CORTIÇO
Confesso que por muito tempo torci o nariz ao ver esta obra nas estantes da biblioteca municipal. Um certo dia resolvi, num assombro de nacionalismo (talvez?) fazer o empréstimo da obra.
João Romão me cativou nas primeiras linhas, com sua ambição desmedida e estratégias peculiares para alcançar a tão sonhada riqueza.
O autor consegue através da descrição dos seus maravilhosos e complexos personagens e trama impecável, afirmar a universalidade da literatura e sua atemporalidade, fazendo (em mim foi muito forte isso) nossos dias serem espelhados em sua obra, lançada em 1890, ou seja, mais de cento e vinte anos atrás.
O sucesso superficial de João Romão nos faz refletir sobre nossas buscas desenfreadas na vida, será que valerá a pena no futuro nossas lutas de hoje? A vida da Rita Baiana nos mostra o lado despreocupado e apaixonante da vida, contagiando Jeronimo, um português antes endurecido pela saudades da terra natal e depois enternecido pelos encantos da mulata.
Enfim, recomendo incondicionalmente esta belíssima obra, que além de nos divertir até a última página, nos ensina belos valores, cumprindo totalmente o objetivo da arte e da literatura.
Abraços!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
CADA AMANHECER
Quero sem nem mesmo querer
Peço chuva em dia de Sol
Anseio o frio enquanto é verão
Guardo péssimas memórias
Deixo passar belos momentos
Vivo perseguindo o vento
Enquanto ele foge com minhas histórias
Sorrio sentindo dor
Imagem de cada amanhecer
Vício insaciado de amor
Vivo querendo morrer
Alguém grita: Cuidado!
É impossível na morte viver.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
MÚSICA BOA
Na minha infância, um forte impacto musical foi a revolução causada pela banda Mamonas Assassinas. Como eu me divertia ao vê-los trocando os instrumentos nos programas de auditório, zombando dos play-backs. Os saudosistas que venham comigo e relembrem a euforia em poder gritar palavrões pois os mesmos faziam parte da letra da música. Foi uma emancipação precoce deliciosa!
Agora percebo o porquê da música nos marcar tanto, ela nos leva à uma catarse, um estranhamento seja pelo momento de paixão marcado pela balada romântica ou pela liberdade de sentir ser adulto ao soltar palavrões aos berros, utilizando a "licensa poética" por ser letra de música.
Hoje existe músicas que me atordoam pela falta de conteúdo e até mesmo de técnica musical, mas engulo seco pois a função da arte é o arrebatamento desta penosa vida, o alívio do fardo do cotidiano e ao ver o sorriso no rosto de alguém. que escuta uma canção que ama concluo: música boa é aquela que você gosta!
Abraços melódicos!
EU, EU MESMO E MEUS CONTATOS
Quero deixar aqui meu perfil no Recanto das Letras, meu twitter e msn para quem quiser me conhecer um pouco mais, quem.sabe somos grandes amigos e apenas não nos conhecemos ainda! Beijos no coração!
www.recantodasletras.com.br/autores/michelribas
@michelribas
michel_iup@hotmail.com
terça-feira, 18 de outubro de 2011
INDRISOS
Achei muito interessante este formato de poesia e resolvi me arriscar. Espero que gostem e também se aventurem nos "indrisos da vida"!
Beijos no coração!
ÂNSIA
A parede, gritando me responde
A razão então se esconde
Dando asas ao meu tormento
Gemidos confusos, choro afônico
Busca por alento
Ânsia de viver
Medo de sofrer
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
TEMPO IMPIEDOSO
Eu morava em Curitiba com um tio meu enquanto minha mãe era destruída por um câncer impiedoso na cidadezinha de União da Vitória.
Ela me disse, deitada em sua cama com o rosto corado, mostrando que a vida ainda habitava seu corpo, que seria melhor eu me afastar durante o seu tratamento e que fosse um bom garoto independentemente do desfecho daquela história. Na noite seguinte embarquei para a capital do estado viver com meu tio Zique.
Dois anos depois, em uma madrugada fria e tomada pela neblina típica de Curitiba, tocou o telefone rasgando meu coração adolescente, já ciente da notícia que seria transmitida pelo aparelho. Minha mãe passava a ser um corpo inerte.
Chorei pouco, as lágrimas insistiam em se esconder e a viagem para o interior foi confusa, trazendo um misto de dúvida pela perda e de uma bomba relógio ensurdecendo com seu tic-tac chegando ao fim.
Ao colocar o pés no solo da infância, já não havia brincadeiras, sorrisos ou alegrias, tudo era cinza. Meu tio me guiou pelo braço até a capela municipal e o cheiro das flores, o ajuntamento na calçada e meu irmão parado na escadaria esboçando um pálido sorriso fúnebre encerraram a contagem regressiva da bomba relógio e então desabei. Chorei de dor.
Não consegui ver minha mãe descer à sepultura, fiquei em um banquinho, tão gelado quanto o meu coração, no outro lado do cemitério.
Até hoje, quando acordo nas madrugadas, imploro à Deus para que o telefone não toque quando houver neblina, para que o tic-tac nunca mais ecoe no meu peito.
As perdas são devastadoras. Tempo impiedoso, tem compaixão de nós!
:(
domingo, 16 de outubro de 2011
SERES DOMESTICADOS
A dona da casinha da qual sou inquilino, que mora na casa da frente, me questiona: porque ficar trancado num dia lindo desses Michel?
Convenhamos, somos seres domesticados, eu sou pelo menos, vivo a semana toda trancado num escritório, reclamando do roubo da liberdade que a vida moderna causa e no primeiro momento livre...me jogo na cama, com fones de ouvido no máximo (mundo no mute), algemado pela internet e colado no edredon da preguiça.
Não sei vocês, queridos leitores, mas liberdade pra mim é estar preso em mim, por mais que meus gostos sejam peculiares, devo me render a satisfazê-los.
Onde quero chegar? Não sou escritor de fábulas, aliás nem sei se sou "escritor", mas quero deixar uma lição de moral. Viva sua vida e não as convenções sociais! Você não deve ser feliz só porque dois mais dois fazem alguém feliz! Você é você, e pode ser feliz com subtração, divisão e até Baskara se quiser! Viva sua fórmula de felicidade, agrade seus gostos e pronto, será mais um domesticado, porém detentor do elixir dos deuses, a verdadeira alegria!
Beijos e uma boa semana!
sábado, 15 de outubro de 2011
E SE FOSSEMOS ASSEXUADOS
As notícias do jornal sensacionalista no horário do almoço na sala de TV da empresa e o momento em que passo em frente da academia no caminho sulcado do tão repetido trajeto de volta para casa.
Esses dias me peguei pensando numa questão um tanto quanto estranha. "O mundo seria melhor, ou mais simples, se fossemos seres assexuados?"
Por mais estranha que possa parecer esta dúvida, tenho alguns embasamentos que a fortalecem assustadoramente.
Por exemplo, quando passo em frente a academia, sinto um misto de admiração (é claro, sou de carne!) e de nojo pela futilidade. Saúde é com certeza essencial e devemos cuidar dela, mas convenhamos, esse não é o propósito principal destas maquinas moldadoras de estereótipos.
Se não fosse a sexualidade exacerbada, que nos é enfiada "goela abaixo" pelos principais meios de comunicação, tentaríamos viver saudavelmente dentro dos limites racionais, e não "reconstruiríamos" nossos corpos pelo simples desejo sucumbidor de sermos almejados pelo próximo, ou até mesmo pela atitude radical de NÃO sermos desejados pelos outros. Às vezes o medo da rejeição trás conseqüências tão graves quanto a autoestima exacerbada.
Se fossemos seres assexuados, creio que iríamos investir muito mais em conhecimento interior, ocupando a vaga da aparência pelo preenchimento da essência (ual)!
Ao vermos os noticiários sensacionalista, nos deparamos todos os dias com casos de amor mal resolvidos, onde ex marido mata mulher que não quis reatar o relacionamento; ex namorado mata menina por estar com outro namoradinho e por aí vai, são inúmeros e bárbaros os crimes movidos pela paixão!
É claro que não podemos desprezar as maravilhas do amor e da atração física, mas deixo aqui esta "pulguinha" para vocês colocarem atrás da orelha.
Abraços frios, para não vazar essência!
Michel Ribas
Nova Era
Uma nova Era se inicia...tentarei publicar algo todos os dias por aqui.
Conflitos existenciais e corriqueiros permearão meus posts e tenho certeza que você, querido leitor, irá se identificar com a maioria das cenas do meu cotidiano.
Abraço, Michel










